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A anestesia e as dores da alma

 

 

 

 

 

Depois de longas e merecidas férias Lico está de volta ao blog da Boca Mágica.

Vai nos contar sobre a invenção que trouxe grande alívio para humanidade e muita dor e tristeza para o seu inventor: a anestesia.

Essa história aconteceu no início do século XIX, quando animadores itinerantes viajavam pelos Estados Unidos demonstrando ao público os efeitos do óxido nitroso. Também era conhecido como “gás do riso”, por provocar contrações musculares involuntárias na face das pessoas, dando a impressão de que elas estavam rindo.

Em 1844, em uma dessas “exibições de gás hilariante”, o dentista Horace Wells observou que a pessoa que fez uso do gás ficou bastante agitada, caiu de uma cadeira e feriu a perna. O fato chamou a atenção de Wells. Ele notou que a pessoa não demonstrou sentir dor enquanto estava sob o efeito do óxido nitroso.

No dia seguinte Wells convenceu o Dr Riggs, um dentista de Hartford, a extrair um de seus próprios dentes sob a anestesia do gás. Foi um sucesso, Wells disse que sentiu apenas uma picada.

Um ano depois obteve permissão para exibir sua técnica no Hospital Geral de Massachsetts. Mas o esperado dia de glória do inventor transformou-se num tremendo fracasso. O gás utilizado era de qualidade inferior e o paciente gemeu durante toda a cirurgia. Wells foi ridicularizado e chamado de charlatão.

Sua situação ficou ainda pior quando os acadêmicos europeus também ignoraram sua invenção. A dificuldade de Wells em lidar com a incompreensão e indiferença de seus companheiros de profissão comprometeu rapidamente sua sanidade mental. Em 1948, suicidou-se.

Logo após sua morte chegou uma carta da Associação dos Médicos de Paris, na qual estava proclamado: “por um voto, que é unicamente a Horace Wells, de Hartford, Connecticut, que cabe a honra de ter pela primeira vez vencido a dor, fazendo um doente respirar os gases vaporizados”.

Ao pensar na vida do Dr. Wells, Lico lembrou-se de uma frase do escritor de Oscar Wilde: o público é muitíssimo tolerante. Ele perdoa tudo, menos o gênio.

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O pai da odontologia moderna

Chegando em Paris, Lico foi direto para o Museu de História da Saúde Pública e dos Serviços Sociais: Musée de l’Assistance Publique Hôpitaux. Ele estava ansioso para conhecer a história de Pierre Fauchard, o francês que revolucionou a odontologia com o livro Le Chirurgien-Dentiste ou O Cirurgião Dentista.

Veja o que ele descobriu sobre o francês que viveu entre 1678 e 1761.

Pierre era de uma família pobre e já aos 15 anos começou a trabalhar na Marinha Real Francesa. Lá, iniciou a prática da medicina. Atendia principalmente os pacientes com escorbuto, doença bucal causada pela falta de vitamina C na alimentação. Naquela época, um problema comum nos marinheiros, pois ficavam longos períodos no mar, sem comer verduras e frutas frescas.

Aos 19 anos ele seguiu para a universidade/hospital de Angers, onde aprofundou seus estudos em saúde bucal. Neste período Pierre Fauchard criou vários instrumentos para uso em cirurgias bucais. Muitos deles adaptados de ferramentas vindas de outras áreas como joalheria, relojoaria e até barbearia.

Contribuiu muito para estabelecer o conceito de recuperação dos dentes. Até então, não se considerava a possibilidade de salvar o dente doente. Extraíam e pronto.

Mesmo pensando que poderia perder clientes com esses novos tratamentos e soluções duradouras, ele seguiu em frente. Veja o que escreveu quando anunciou a invenção de pivôs e dentaduras:

“Aperfeiçoei e também inventei várias peças artificiais para a substituição dos dentes e para remediar sua perda completa, ainda que, em prejuízo do meu próprio interesse”.

Ele também cometeu seus equívocos. Um dos mais exóticos foi aconselhar os pacientes a fazer bochechos com a própria urina. Urrgggh!

Felizmente, os acertos foram geniais e os erros, digamos, fizeram parte do trabalho e das limitações da época. Sem dúvida, ele foi o principal responsável por tirar os dentistas das barbearias da Idade Média e os colocar sob a luz da ciência moderna.  

Além de entender porque ele foi considerado o “pai da odontologia moderna”, Lico também ficou fascinado com o poder dos livros, pois Pierre compartilhou todo seu conhecimento escrevendo o livro “O Cirurgião Dentista”. E a partir dele, novos saltos científicos foram dados para o bem da humanidade.

Após a decolagem, observando a Torre Eiffel se afastar, Lico lembrou de uma das frases de Mário Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.”

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Os barbeiros-dentistas da Idade Média

Desta vez, Lico viajou no tempo… Foi parar na Idade Média. Na época em que a medicina era praticada principalmente nos mosteiros cristãos.

Descobriu que os barbeiros entraram para história da odontologia em 1163, quando a igreja proibiu os monges de realizar cirurgias.

De tanto ir aos monastérios aparar barbas e cabelos dos monges, os barbeiros aprenderam algumas noções sobre medicina. Muitos tornaram-se assistentes cirúrgicos.

Com a proibição da igreja, aqueles que tinham apenas a função de aparar pelos assumiram novas responsabilidades. Começaram a realizar procedimentos como: tirar pedras da bexiga, sangrias e também extrair dentes.

Tornaram-se tão bons em arrancar dentes que até os médicos encaminhavam para eles os pacientes com problemas odontológicos.

Lico ficou horrorizado ao saber que alguns “barbeiros-dentistas” tratavam seus clientes em tendas, montadas em feiras livres e mercados. E que as manipulações na boca do paciente eram acompanhadas por dezenas de curiosos que passavam pelo local.

Os barbeiros só voltaram a ser apenas barbeiros, abandonando a medicina, no século 18. Quando surgiu o francês Pierre Fauchard e seu livro O Cirurgião Dentista. A partir daí foram dados os primeiros passos para a ciência odontológica. Mas, segundo Lico, isso é uma outra história.
Fontes: Aventuras na História – Editora Abril / Wikipédia / Imagem: montagem com pintura de Franz Anton Maulbertsch, 1785

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Lico e a higiene bucal na Grécia Antiga

Depois de passar pela terra dos faraós e conhecer sobre Hesi-Re, o primeiro dentista da história, Lico rumou para a Grécia. Nem imaginava que lá, numa visita ao Partenon (foto), um dos maiores monumentos culturais do mundo, poderia aprender um pouco mais sobre a história dos dentistas.

Chegou logo após o almoço, vestindo uma camisa da seleção brasileira, uma bermuda jeans e um tênis Allstar azul. O lugar estava repleto de turistas. Não demorou muito para ele fazer amizade. Alexos, um garoto ateniense, louco por futebol, logo aproximou-se. 

Lico até queria conversar mas não entendia nada do que falava o garoto grego e vice versa. Apenas com a chegada do tio de Alexos, o papo ficou mais fácil. Apesar de também ser grego, o tio havia aprendido um pouco da língua portuguesa quando morou em Portugal.

Terminada a visita ao Partenon, os três continuaram a conversar. Falaram muito sobre deuses. Os deuses do Olimpo, Zeus, Hera, Hades e também os deuses do futebol, Pelé, Ronaldo, Kaká, para alegria de Alexos.

Mas foi no micro-ônibus, voltando para o hotel, que Lico descobriu que o tio de seu novo amigo, Dr. Konstantinos, era dentista. Ai, foram os olhos do camisa 9 que brilharam.

Lico queria saber como era a odontologia na Grécia Antiga. O doutor contou que, naquela época, as condições era muito precárias. Não havia anestesia e as pessoas sofriam muito. Por outro lado, continuou, percebia-se alguns sinais de prevenção. Os hábitos de higiene bucal já eram parecidos com os que temos hoje, completou.

Licou ficou curioso. Como era possível saber se aquelas pessoas cuidavam ou não dos dentes?

O Tio de Alexos explicou: – Essas descobertas são possíveis graças a análise das arcadas dentárias dos mortos ou mesmo dos utensílios da época. Assim, é possível saber com quantos anos a pessoa morreu, quantos dentes ela arrancou e várias outras coisas. É possível também comparar os objetos encontrados, e ver se há alguma semelhança com uma escova ou palito de dente.

E qual foi a descoberta sobre a prevenção? perguntou Alexos.

Foi um escrito do século 4 a.C. Nele, um médico grego chamado Diócles Caristo já aconselhava seus pacientes a cuidar dos dentes, esclareceu o tio.

E o que ele dizia? Indagou Lico.

“A cada manhã deveis esfregar vossas gengivas e dentes com dedos desnudos e com menta finamente pulverizada, por dentro e por fora, e em seguida deveis retirar todas as partículas de alimento aderidas.” declamou o Dr. Konstantinos.

Lico, para espanto dos outros, começou a falar em voz alta: “A cada dia deveis escovar vossos dentes por três vezes, sempre após as refeições. Deveis também retirar as partículas de alimento que ficam aderidas entre vossos dentes, fazendo uso de um fio dental. E, é claro, deveis visitar um dentista a cada 6 meses. Assim, evitarás que terrível Ácido X leve seus dentes para céu da boca”. Todos riram.

Ácido X? perguntou Alexos. Quando Lico estava prestes a contar sobre A Boca Mágica, o ônibus chegou ao seu hotel. Precisava descer para que seus novos amigos e os outros passageiros seguissem viagem. Houve tempo apenas para anotar seu endereço do twitter e, para explosão de contentamento do amigo, deixar de presente a camisa do Brasil.
Fonte: Aventuras na História – Editora Abril / Wikipédia / Imagem: montagem com foto de clairity/Flicker

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O Lico está pensando em ser dentista quando crescer e resolveu conhecer um pouco mais sobre essas pessoas que, assim como ele próprio, combatem o terrível Ácido X. Descobriu muitas histórias interessantes e vai nos contar agora, começando com:

Hesi-Re, um dos primeiros dentistas

Essa história começa há muito tempo atrás, lá no Egito, quando os dentistas ainda eram chamados de médicos*. Foi nessa época, 4500 anos atrás, que viveu Hesi-Re, o dentista mais antigo que se tem notícia. Em sua tumba havia uma inscrição dizendo algo como: “o maior daqueles que lidam com os dentes, e dos médicos.”

Naquela época, além de não higienizarem os dentes, os egípcios não percebiam que sua comida era cheia de grãos de areia, vindos junto com a farinha de fazer o pão e com vegetais que não eram bem lavados. Quando mastigavam, essa areia desgastava os dentes e complicava ainda mais os problemas bucais.

Tudo isso levou Hesi-Re e seus colegas de profissão a extrair muitos dentes de seus pacientes, pelo menos, é o que indica os crânios banguelos da época encontrados próximos a sua região.

Além de médico e dentista, ele também foi escriba real. Existem indícios de que tinha proximidade com a família do faraó Djoser.

Em breve, Lico viajará do Egito para a Grécia, onde nos apresentará outro importante médico/dentista, o grego Diócles Caristo.

* Em portugal os dentistas são chamados de médicos dentistas.
Fontes: Aventuras na História – Editora Abril / Wikipédia / Creative Commons Flickr
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