A bela história de Lico, Lucas e Neto

Quando vi o trailer de A Boca Mágica fiquei encantado com as ilustrações e, assim que foi lançado, comprei o livro. Achei a história super interessante, as ilustrações eram ainda mais bonitas do que eu imaginava, mas faltava alguma coisa…

Na ultima quarta-feira (06) ocorreu o Dia da Saúde Bucal na minha faculdade, quando crianças de uma creche aqui de São Paulo, visitam a nossa clínica e passam uma tarde conosco. Passamos vídeos, ensinamos escovação, fazemos profilaxia e depois ficamos brincando e, principalmente, aprendendo com os pequenos. E foi nesse contexto que vi o que faltava pra eu conhecer o livro A Boca Mágica por completo.

 

 

Esse é Lucas, meu grande pequeno paciente. Ele tem 5 anos, mora “ali”, gosta do desenho do Ben 10 (mas não tem nada contra o pica-pau) e estava morrendo de sono, porque ficou até tarde vendo a novela com a mãe. E foi esse brilhante jovem o responsável pelo meu aprendizado do dia. Perguntei:
    – Lucas, você gosta de ler? Espera, você sabe ler? Você gosta de livro? – realmente eu não fazia ideia de como iniciar essa conversa literária.
– É, eu não sei ler, mas minha mãe lê pra mim. – mais esperto que eu, Lucas conseguiu estabelecer contato.
    E foi nesse momento que tirei da minha mochila o livro. Lucas soltou o lápis e o desenho que estava pintando, pegou o livro com ar de espanto, olhou pra capa por uns 5 segundos sem falar nada. Apenas olhava, sem demonstrar nenhum interesse, avaliava calmamente. Um daqueles clássicos momentos em que prendemos a respiração de tão tensos que ficamos e só voltamos a respirar quando ele fala:
    – Tio, lê pra mim.

– Claro.

Comecei a contar a história de Lico e seu doloroso dente. A ida ao dentista, a boca, os dentes falando com ele. Lucas ficou inconformado:
    – Tio, o Ácido X mata o dente?
– Ele primeiro machuca o dente Lucas, e vai machucando aos poucos, e se o dono do dente não fizer nada, o ácido X mata o dente.
Mais um momento de silêncio. Lucas pensou, pensou e disse:
– Mas o Ácido X não vai matar meu dente não né, tio?
– Você tem cuidado do seu dente direitinho? Escovado, deixando-o bem limpo, sem sujeira?
    Espantado Lucas responde:
    – Tenho, tenho, tenho sim, tio.
    – Ah, então o Ácido X não vai poder fazer nada com seu dente! Você é um rapaz responsável, cuida direitinho do seu dente, não?
Continuamos a história e novas perguntas surgiram:
    – Tio, meu dente de leite morreu por causa do ácido X ? Por isso que ele caiu?

– Dente sem alma? Ele morreu também? Foi o ácido X?
– Tio, eu vou ter que colocar um dente sem alma aqui (apontando pra janelinha nos incisivos)?
Perguntas feitas, respostas dadas e a história chega ao fim. Fechei o livro e olhei pro Lucas. Lá estava ele: sério, pensativo, olhando para o livro fechado. Realmente, esse pequeno sabe fazer uma pausa dramática como ninguém. E, finalmente é o momento do meu aprendizado. Ele olha pra mim, sorri e diz:
    – Gostei, tio!
Era isso que faltava. Por mais que eu tenha me encantado com o A Boca Mágica, por mais que tenha lido várias vezes, buscando avaliar cada detalhe, eu ainda não tinha visto o livro pelo olhar de uma criança. Ver a empolgação de Lucas com a história, as dúvidas que surgiam e as perguntas que ele fazia, a revolta com a morte dos dentes e a preocupação com os próprios dentes. Tudo isso me encantou muito, me encantou mais do que o livro, mais que as ilustrações e a história do Lico.
    E é por isso que estou aqui, dando os Parabéns ao Ailton por conseguir escrever duas histórias em A Boca Mágica. A história do Lico e a história do Lucas. E sei que será assim, cada vez que eu ler essa história para uma criança sempre terá uma nova história sendo contada. Obrigado por proporcionar tantas emoções e um aprendizado maravilhoso.


Neto Miná, baiano, há um ano e meio em São Paulo, onde cursa odontologia na Universidade Paulista, UNIP. Apaixonado por saúde coletiva, voluntário do Banco de Dentes Humanos e estagiário do Ortoblog.

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10 thoughts on “A bela história de Lico, Lucas e Neto

  1. Ah,eu amei a história! Muitas vezes as crianças nos ensinam a ter um olhar diferente,sem maldade,com inocência e pureza.
    Parabéns Neto,vc conseguiu ter esse olhar e nos transmitir.

  2. Obrigado pela análise Leo, a opinião do chefe é sempre bem vinda. rs.
    Quanto a ser um discípulo do grande Tio Dentista, eu não sei. Minha paixão maior é saúde pública, e odontologia preventiva e odontopediatria formam um belo casal, não é mesmo?
    Até então só conhecio a odontopediatria trabalhando prevenção e promoção de saúde. Vamos ver se me identifico com a parte clinica também. Quem sabe.

    Obrigado a todos pelas belas palavras.

  3. Texto bem escrito, elegante e sensível!
    Uma história bonita e tocante!

    Ainda bem que o Neto Miná é 'estagiário' no OrtoBlog

    Parabéns!

    PS. Será que está surgindo um discíplo para o Tio Gustavo

  4. Que lindo, Neto! E que bela forma de induzir a criança à leitura. Garanto que ele vai passar a "ler" com mais frequência, agora. rs
    Parabéns! (:

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